Quem era ela? Victoire Weasley? Provavelmente, se era isso que todas aquelas pessoas que entravam diariamente no seu quarto lhe chamavam. Não reconhecia o sítio onde estava, embora começasse a habituar-se às paredes brancas, às roupas brancas, os lençóis brancos, a camisa de dormir branca que era obrigada a vestir dia após dia por pessoas que ela não sabia quem eram. Não havia um único rosto conhecido, apenas aqueles mascarados que entravam ali e a obrigavam a vestir-se, a levantar-se, a tomar banho, a comer, como se realmente estivessem preocupados em que ela estivesse confortável. Porque não a deixavam morrer? Ela agradecia, a sua mente exausta agradecia. E depois havia os momentos em que aquele cheiro forte e adocicado lhe entrava pelas narinas, ao princípio estranhava, mas ao fim de poucos segundos o cheiro parecia entranhar-se dentro de si e os seus movimentos tornavam-se pesados e lentos e, depois, a escuridão. Não restava nada para além da escuridão e ela sabia bem, quando a sua mente era levada para a penumbra da noite, ela podia descansar. Não haviam mascarados, não havia ninguém, havia apenas ela, fosse ela quem fosse. Victoire Weasley? Talvez.
Muito pouco tempo depois tudo voltava, pelo menos a ela parecia-lhe pouco tempo, embora não tivesse a exacta noção de tempo desde que ali estava. Não tinha a exacta noção de nada. Não tinha noção do tempo, não tinha noção do seu paladar, toda a comida que era obrigada a ingerir estava desprovida de qualquer sabor, ela ficaria bem se não fosse obrigada a comê-la e as cores, ela tinha a certeza que um dia adorara cores mas, no meio da candura daquele quarto, todas as cores envergadas pelos seus estranhos visitantes, pareciam pálidas, misturavam-se com o branco da divisão e desapareciam. Os rostos, esses, eram pálidos, indistintos, desfocados. Não reconhecia os rostos que a olhavam e não tinha a certeza de querer fazê-lo, talvez se não os reconhecesse a deixassem ir. Talvez a deixassem voltar para casa, o seu quarto colorido, ela lembrava-se que tinha um quarto colorido, ou não teria? Não podia ter certezas, as memórias emaranhavam-se dentro da sua mente como um novelo de lã tantas vezes revolvido pelo chão entre as patas de um gato. E, quando tentava desemaranhar os fios desse novelo, que não eram mais do que as suas memórias, os seus pensamentos ou as suas certezas, eles apertavam-se mais e voltavam a emaranhar-se acabando por os perder.
Aquelas mulheres vestidas de branco diziam-lhe que a mãe a ia visitar, o pai, os irmãos, primos, mas eram tudo mentiras, nenhum deles alguma vez lá tinha ido. Quando qualquer uma delas anunciava a chegada de um dos seus familiares, apenas entravam lá mais mascarados que tinham como único intuito fazer-lhe mais perguntas e torturá-la. Ela não queria, a sua mente gritava de desespero e os sons que ela tentava abafar acabavam por se propagar no espaço e eles iam embora e paz voltava, e o cheiro forte e doce que lhe inebriava os sentidos. E novamente a escuridão. A pacífica escuridão. A escuridão acolhedora e bem-vinda. A paz. E ela deixava-se ir e sonhava que a libertavam, que voltava para a sua casa, os rostos felizes a observá-la, os braços a agarrá-la, a abraçá-la, a acolhê-la. E depois tudo desaparecia e ficava a lembrança de um momento que ela não sabia quando tinha acontecido. Um rapaz, não conseguia ver o seu rosto, apenas sentia o seu toque, as suas palavras soavam como uma doce melodia aos seus ouvidos e um presente, um colar, e ele era importante, o colar e o rapaz, eram ambos importantes, ela sabia-o, mas não sabia quem o rapaz era e a memória tornava-se difusa e embaciada, novamente, e desaparecia, tornando-se parte do emaranhado de pensamentos que preenchiam a sua mente.
Abriu os olhos sendo atingida pela claridade que ela não queria ver. Queria continuar envolvida na escuridão que lhe transmitia calma e serenidade. A luz fazia ficar confusa, a voz da mulher sentada ao seu lado fazia a sua cabeça latejar como se o seu crânio quisesse esmagar o seu cérebro e apenas procurasse o melhor momento para o fazer. Voltou-se para o outro lado na cama e cobriu a cabeça com o lençol. A mulher voltou a falar e ela não percebeu uma única palavra das que ela pronunciou. Apenas se moveu da posição em que estava, encolhida sobre si própria, como um feto no ventre da mãe, quando algo fez o colchão mover-se. Um peso inclinou ligeiramente o colchão, algo ou alguém estava junto com ela na cama. E aquele nome estranho mas invulgarmente familiar que todos insistiam em chamar-lhe foi pronunciado por uma voz conhecida, conhecida mas estranha. Não sabia quem era. Descobriu a cabeça e olhou a pessoa que falara, arrepiando-se com a proximidade a que aquele estranho se permitira. Puxou as suas pernas rapidamente para cima, encolhendo-se no topo da cama, encostando-se na esquina entre a parede e a cabeceira da cama. Chegou os joelhos ao peito e envolveu-os com os braços, olhando o estranho que se encontrava sentado na outra ponta da cama a olhá-la. Ele não falou, limitou-se ao silêncio e quando voltou a pronunciar o nome dela, ela reconheceu a voz e pendeu a cabeça ligeiramente sobre o seu ombro direito, olhando-o. O rosto dele não era baço como os outros, ele não usava a máscara, ele olhava-a de uma forma que ela não conseguia descodificar e um sorriso débil formou-se nos lábios dela quando o cabelo dele começou a mudar de cor. O cabelo dele era divertido. Ela reconhecia aquele cabelo, aquilo não lhe era totalmente estranho. Ele recomeçou a falar e ela deixou as pernas moverem-se de modo a ficar sentada com as pernas cruzadas e observou-o em silêncio. A voz dele era melódica, deixava-a com uma sensação de calma e paz e, depois, o olhar dele focou-se no colar que ela tinha ao pescoço. Victoire encolheu-se novamente, apertando o colar com força na sua mão fraca mas que tinha ganho vigor naquele momento. Não iria permitir que ele lhe tirasse o colar. Nunca.
Ele voltou a fitar o rosto dela e ela descontraiu novamente. Ela não temia aquele estranho, não queria fugir dele, ele dava-lhe paz. Mas ela estranhava a forma como ele a olhava. Ele aproximou-se mais e ela limitou-se a olhá-lo durante um longo momento. Pendeu a cabeça e o sonho chegou à sua mente. O rapaz, o colar, a troca de palavras e ela reconheceu-o. Ele era o rapaz do sonho. Fora ele quem lhe dera o colar. Ela tinha a certeza disso, naquele momento ela tinha a certeza de algo. Ele era importante. Ele era Ted, o seu namorado, ele estava ali. Ele estava preocupado com ela. Ela precisava dele. Ted… O nome saiu-lhe fraco por entre os lábios debilmente afastados. TED! Pronunciou com um pouco mais de força e viu o sorriso dele abrir-se um pouco. Moveu-se e atirou-se contra o corpo dele. Naquele momento ela era forte. Ela deixou os seus braços envolverem o pescoço dele com uma força que ela desconhecia, e sentiu-o abraçá-la. Aquilo sabia-lhe bem. Ele estava ali. Ele estava ali com ela. O seu namorado, o seu único amor estava junto dela e ela estava feliz. Pela primeira vez em meses ou anos, ela não sabia quanto tempo tinha passado, ela estava feliz.
NOTAS: sim é inspirado no fandom de Harry Potter. sim é totalmente imaginação minha. e sim eu às vezes dá-me para escrever estas coisas loucas. agora o "bla bla bla wiskas saquetas" normal destas coisas: não copiem, não reproduzam, isto tem direitos de autor e persigo-vos com serras eléctricas (a)

PLACEBO no Festival Marés Vivas em Gaia! EU QUERO IR! EU VOU! EU TENHO DE IR!
Tem David Fonseca no mesmo dia mas o que me interessa é PLACEBO!!!!!
Nota: músicas ali ao lado mudadas e tem a banda e o nome escritos por baixo. Espero que gostem.